segunda-feira, 13 de abril de 2009

A VORACIDADE HUMANA É UM FUNDO SEM POÇO

Começar é sempre complicado. Mas quem disse que a vida é simples? Este blog é apenas uma maneira de começar a divagar ou uma maneira de começar de vagar... Não quero recitar poemas, não quero nada. Só pensar e escrever o que me vier a cabeça.
Houve um tempo em que era assim. Eu pensava tanto que doía. Aí tinha que escrever. Tinha um caderninho. Já tive vários caderninhos que ficavam escondidos debaixo do travesseiro. Agora, tem a internet. Um blog, onde eu posso tentar voltar um pouquinho no tempo... No tempo do caderninho no qual eu anotava tudo o que sentia e o que pensava...
Na época do caderninho, eu dizia que aqueles escritos eram secretos, só para mim. Mas... hoje eu sei que não eram. No fundo, no fundo, queria me revelar. Tinha uma vontade enorme de que as pessoas lessem e me conhecessem melhor. O blog me dá essa possibilidade...
Vamos ver se funciona.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

CAIXINHAS

*Por Carícia Temporal
Quando o quarto está uma bagunça e a gente pára pra tentar arrumar, aparece um monte de coisinhas que não vemos há tempos. Da maioria delas temos que nos desfazer, pois acabam apenas ocupando espaço sem ter serventia alguma. Porém, existem aqueles objetos, mesmo os pequenos, que nos são impossíveis de jogar fora ou passar adiante. Por nos lembrar um momento, uma frase, um riso, uma pessoa. Por qualquer motivo bobo, à toa, juntamos esses pequenos objetos numa caixa, que tentamos guardar com carinho num cantinho do armário.
Durante o dia de Suely, ela não tem tempo de mexer nas caixinhas do armário. Tem que levantar impreterivelmente as 5h30 da manhã e com aquele sorriso enorme de quem dá bom dia aos passarinhos. Acordar filho uma vez, tomar banho, acordar filho duas vezes, encontrar uma roupa não repetida no guarda-roupa, acordar filho mais uma vez, pôr a mesa, acordar filho (já com ameaças) pela última vez ou eles vão ficar! Aí é correr 13km de uma metrópole, deixar os filhos na escola e correr pro trabalho. Trabalho de jornalista. Incessante, mal-pago e maravilhoso. Só pra quem gosta. Ela gosta. Gosta porque é doida, apaixonada pela profissão e pela vida. Enfrenta qualquer coisa, é versátil, elétrica, empolgada, capaz de fazer mil coisas ao mesmo tempo. Quer fazer tudo, ajudar todo mundo. Fazer com que todos sejam tão felizes quanto ela. Na verdade, ela é inquieta, não consegue ficar parada um segundo. Reclama que não tem tempo pra descansar, mas quando tem, quer logo ocupar-se com coisas divertidas, diferentes. Ela quer mesmo é ser diferente, gosta de se destacar. E não pára de jeito nenhum. Nem no Domingo. Mestrado, coral e o pai doente no hospital. Mas nem isso é capaz de derrubá-la. Seu dia quase não cabe em 24 horas.
Uma pessoa comum, uma mulher comum, uma mãe comum, um ser humano comum. Mas quem, sendo tudo isso ao mesmo tempo, poderia ser outra coisa que não extraordinária? Mãe, eu queria era colocar você numa caixinha.
Carícia Temporal é minha filha e cursa o treceiro semestre de Comunicação Social na UnB (Universidade Nacional de Brasília). Este foi um texto que ela fez para um trabalho de Oficina de Texto do professor Luiz Martins.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

VIDA LONGA AO JORNALISMO E AOS JORNALISTAS!

Éden Nilo
Vida longa aos jornalistas que amam ou estão magoados com a profissão. Desejo a todos que se dedicam para levar ao público, da melhor forma possível, o bem precioso da informação: longevidade e persistência sempre. Jornalismo, como assinalou Cláudio Abramo, falecido em 1987, não é profissão, é carreira, e exige doses generosas de ceticismo e paixão. É atuar num papel social de indiscutível relevância para garantia do direito à liberdade de expressão de cada segmento da sociedade, função indispensável à prevenção do abuso de poder e imprescindível à manutenção da democracia. O verdadeiro jornalista funciona como sistema nervoso periférico do ser coletivo: conduzindo e reconduzindo impulsos entre cada célula que compõe esse organismo social, defendendo os tecidos sociais contra o câncer do totalitarismo.

No Dia do Jornalista, peço a Deus que as mentes lúcidas desse nosso país despertem para a importância do aprimoramento, fortalecimento e valorização do profissional de jornalismo, defendendo a regulamentação da profissão e a manutenção da obrigatoriedade da formação de nível superior para exercício da função. Por entender que o exercício do jornalismo, por excelência, prescinde de uma boa formação teórica, técnica, sólida o suficiente para surtir resultados inclusivos, acessíveis, edificantes, justos, éticos e respeitosos.

Da experiência acadêmica com professores, mestres e doutores, o profissional não só aprende técnicas específicas do ofício, mas, acima de tudo, é oportunidade de ampliar horizontes de possibilidades e conhecimento. A amplitude de visão é fundamental para a disseminação da informação precisa, isenta, capaz de contribuir para a formação do pensamento mais crítico, acrescentando ao público novos valores, revisando conceitos.

Através do ensino superior, da pesquisa, do ensino e das atividades de extensão, o profissional adquire ferramentas sem as quais o jornalista não terá como defender os interesses coletivos contra as vontades individuais.

Foi na Facom e nsa redações que me abriram as portas que aprendi que a vida, assim como a notícia — viceja entre barracos e vielas enlameadas, muito mais do que nos gabinetes oficiais ou em vernissage de lançamentos de medalhões, por exemplo. E mantenho tal consciência, em grande parte porque tive a oportunidade de estudar numa excelente unidade de ensino superior, a UFBA.

Defender a regulamentação desta profissão é estar, por fim, a defender a própria humanidade. Com o bom exercício do jornalismo, fruto de uma formação consistente, o conhecimento dissemina, flui, multiplica, e toda a sociedade cresce. Para tanto, a profissão do jornalista deve ser valorizada e respeitada, munida de oportunidade de educação continuada e de vacinas para garantir ao cidadão a informação correta, tratada como bem social e não como mercadoria ou moeda de barganha a serviço de interesses privados e até adverso aos interesses coletivos.

O fim da exigência do diploma é a contramão dessa história.

São pontos a serem refletidos neste 7 de abril de 2009 - dia do jornalista brasileiro.

sexta-feira, 27 de março de 2009

PRA QUÊ SERVE UM AMIGO?

Pra tanta coisa... não é? Para Instalar o XP no computador e não cobrar nada, mesmo perdendo horas e horas a fio!
Para trazer muamba do Paraguai e quase ser preso!
Para emprestar o carro e recebê-lo de volta com multa e 21 pontos na carteira.
Pra rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um CD, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
A amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises e choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um CD. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola... Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim, talvez, ninguém tem...
Se tiver um, amém!
E se você tiver mais de dez... Parabéns... e quando tiver um faniquito contem comigo!

quarta-feira, 18 de março de 2009

O DIA EM QUE MATARAM JOLIVALDO

Eu estava em casa num sábado desses aí, tem umas duas ou três semanas, e meu compadre Marques Neto, que é advogado, me ligou. Como ele nunca me liga, ainda mais num sábado, já disse alô preocupada. Sem dó nem piedade, característica comum aos advogados (penso eu), ele me falou do outro lado da linha sem prolegômenos:
- Sú, você sabia que seu amigo Jolivaldo morreu?
Gelei na hora!
- Como assim? Perguntei sem entender nada.
- Li uma nota sobre a morte dele na coluna de óbitos do jornal A Tarde de hoje!
Esta informação impassível me levou à beira das lágrimas enquanto, sem desligar o telefone comecei a azucrinar meu marido para procurar no Jornal A Tarde a tal coluna que eu não costumo ler. Incrédula e trêmula, pensei:
- Como que é que pode Jolivaldo morrer e ninguém me avisar? Nenhum colega me ligou para me falar que ele estava no leito de morte ou coisa parecida! Que falta de consideração!
Tentei o telefone celular de Valmir Palma, mas não atendeu. Esse deve estar no velório! Aí liguei para Cíntia Medeiros que também não sabia de nada e ficou tão agoniada quanto eu. E eu não achava a parte do jornal que tem a famigerada lista dos mortos. Enquanto procurava, lembrei de Moacyr Nery, que era o responsável por fechar a coluna “Obituário” no finado Jornal da Bahia. Todo dia no final da tarde ele gritava para Verinha no Arquivo: “Ô Verinha, os mortos já chegaram, Verinha?”
Nervosa por motivos óbvios e intrigada porque não imaginava que Joli pudesse morrer tão discretamente eu continuava procurando o jornal e pensando:
- Como é que a TV Bahia não fez nenhum registro? Como é que os demais veículos não deram nenhuma linha? Apenas uma notinha sem importância na Coluna de Óbitos? Era o fim da picada! Joli não merecia isso! Não seria um defunto desse porte! Não o meu amigo Jolivaldo Freitas, jornalista, poeta, escritor, cronista e bom vivant inveterado. Tanta gente menos importante morre e ganha mais espaço! Não era possível!
Cheguei a ponderar isso com o meu compadre Marques Neto. Ele concordou que a morte repentina de um jornalista da dimensão de Jolivaldo Freitas não poderia ocorrer assim, quase no anonimato. Mesmo assim, ele me atestou de que havia lido o nome dele no obituário de A Tarde daquele sábado: Jolivaldo da Cruz Freitas.
- Pode ser um homônimo! Sugeriu meu compadre.
- Não podia ser! Não podia ser!!!! Jolivaldo da Cruz Freitas só tem um! Ele é único! Retrucava eu mentalmente.
Liguei então pra Chico Araújo que ficou tão surpreso quanto eu, mas reagiu de maneira mais ponderada, como sempre.
- Não deve ser ele não, Sú. Disse ele tentando me tranqüilizar. Mas a esta altura eu já estava desesperada demais para dar ouvidos às ponderações de Chico. Lembrei de quantos amigos eu já perdi precocemente e de que já estou cansada de ir a enterros de gente tão querida, enquanto tem tanta gente ruim precisando ocupar umas vagas no inferno. Lembrei de Armando Lobracci, de Vanderlei Carvalho, de Linalva Maria, de Wilson Besnosik, de Anísio Félix, só pra citar os mais chegados a mim. Se continuar desse jeito, não vai sobrar ninguém pra ir no meu velório! Sacanagem!
No final, meu marido acabou achando a página com o obituário, que já estava prestes a ser jogada no lixo pela faxineira. Aí foi que vimos que toda essa celeuma foi causada pela troca de uma letra: o nome do falecido era Jolinaldo da Cruz Freitas e não Jolivaldo da Cruz Freitas. Aliviada, liguei para Marques, Cíntia e Chico para dizer o que eles já sabiam. Que não era Jolivaldo. Que Joli continua vivinho da Silva Xavier! Ou melhor, da Cruz Freitas!

terça-feira, 17 de março de 2009

MACHETES INTRIGANTES

OS (QUASE) SEM FLORESTA...
O jornal baiano Correio * (ex-Correio da Bahia) diz em uma de suas matérias da edição de hoje que quase metade do desmatamento do mundo ocorre no Brasil. Claro! É onde mais tem floresta no mundo! Onde mais tem floresta para cortar? É verdade que a nossa floresta está acabando mesmo. Mas o fato é que ainda temos floresta, enquanto o resto do mundo só tem uns matinhos...
Antes que os ecologistas achem que eu sou a favor do desmatamento das florestas brasileiras ou do que resta delas, quero dizer que eu também sou protecionista: tenho até uns pés de coentro, salsa e cebolinha plantados na varanda da minha casa!
ESCOVA DE DENTES OU CELULAR?
Da minha amiga, colega e doutora Malu Fontes, leio texto assinado e publicado na sua coluna dominical no Caderno da TV, do jornal A Tarde no qual ela comenta uma matéria exibida pelo telejornal noturno da TV Band sobre o elevado percentual de brasileiros que não têm acesso à escova de dentes (58%, segundo a reportagem). Fazendo o contraditório, Malu apontou que, em outras matérias, o telejornais informam o crescente númeto de brasileiros que possuem telefone celular e o utilizam com mais frequência e correção do que a simples e elementar escova de dentes.
O mais interessante é que algumas pessoas alegam o "alto preço" da escova de dentes para não usarem-na como se deve. Mas e o celular? Quanto custa? Será que é mais barato do que a escova de dentes? O que faz uma pessoa ter e saber usar adequadamente um aparelho celular e ao mesmo tempo não ter ou não saber usar adequadamente uma escova de dentes?
Depois de ler e saborear o delicioso texto de Malu, que encerra seu artigo sugerindo que as pessoas que não usam a escova de dentes com regularidade aceitem chicletes e pastilhas, quando lhes forem oferecidos, concluí duas coisas:
  1. Que a população brasileira vê mais utilidade no telefone celular do que na escova de dentes.
  2. Que o brasileiro quer é falar. Ainda que seja com bafo e sem dente!

FALEI E DISSE!

terça-feira, 3 de março de 2009

PENSAMENTO DA SEMANA


"Às vezes,
quando se está furioso com alguém,
sentar e pensar
sobre o problema
pode ajudar bastante!''

domingo, 1 de março de 2009

LIQUIDA! LIQUIDA! LIQUIDA!

Começou ontem a Liquida Salvador. A cidade inteira está em oferta com mais de 6 mil pontos de venda oferecendo descontos mis! Mas tem algumas promoções que chamam a atenção do cliente como a de uma bolsa na Zoomp de R$ 900,00 por R$ 500,00. Uma pechincha! Me deu vontade de levar três: uma de cada cor! Mas só tinha vermelha! Só não comprei porque vermelho é a cor da minha conta bancária... Aí num combina, né?
Nessa época do ano, fico que nem boi confinado. Não saio do escritório nem para almoçar. Pra quê tudo isso? Perguntam meus insanos leitores. Para não cair na tentação da Liquida, ora bolas! A única liquida que me interessa no momento é a liquida das minhas dívidas. A sopa de letrinhas do início do ano está aí e não ta sopa! É IPVA, IPTU, IRPF... E o meu cartão de crédito é uma navalha, mas está cega!
Por isso fico aqui quietinha enquanto a cidade liquida, liquida, liquida. Mas a vontade que eu tenho é de enfiar o pé na jaca até o pescoço! Ô vida!

FUSO HORÁRIO
Por falar em enfiar o pé na jaca, li ontem no Yahoo que o atacante Ronaldo (ex-Fenômeno) enfiou caiu de boca na gandaia. Em sua primeira folga no Corinthians, após uma confraternização na última quinta-feira, o jogador voltou depois das 5h30 da manhã da sexta, quando o horário limite para retorno dos atletas era 23 horas da quinta. Sinceramente, sabe o que eu acho? Que esse pessoal devia largar no pé do Ronaldo. Tá mais do que evidente que ele não quer mais essa vida, pô! Esse negócio de concentração, de acordar cedo, fazer exercício físico, treinar, é pra quem é pobre! Jogador rico só quer saber de jogar bola. Todo mundo devia cair nessa real. Ronaldo quer jogar bola. Aliás, com todo o dinheiro que ele já ganhou nessa vida jogando bola, se ele morresse hoje e reencarnasse podia passar a vida inteira sem bater um prego numa barra de sabão! Acho que Ronaldo devia deixar essa vida de concentração e passar a jogar bola somente aos sábados com os amigos. Garanto que ele seria muito mais feliz!

Vou ficando por aqui. Me controlando para não cair na tentação da Liquida. Porque quando a sorte sorri pro pobre, ele descobre que ela é banguela!