quinta-feira, 18 de junho de 2009

PODRES PODERES - A DOR DA GENTE NÃO SAI NO JORNAL

Certa vez, Chico Buarque escreveu para a peça Gota D'Água:
Tentou contra a existência, num humilde barracão, Joana de Tal, por causa de um tal João. Depois de medicada, retirou-se pro seu lar. Aí a notícia, carece de exatidão. O lar não mais existe, ninguém volta ao que acabou. Joana é mais uma mulata triste que errou. Errou na dose, errou no amor, Joana errou de João. Ninguém notou, ninguém morou, na dor que era o seu mal. A dor da gente não sai no jornal.
É assim que eu me sinto hoje. Como a Joana de Tal, cuja dor não está estampada nos jornais. Ontem, por 8 x 1 o STF extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de Jornalista. Hoje, os jornais, emissoras de TV e de rádio não ignoraram a notícia. Deram-na burocraticamente, como na obra acima, onde Chico relata a tentativa de suicídio de Joana de Tal por causa de um tal João. Ninguém comentou a ignomínia cometida contra os jornalistas profissionais deste país. Pessoas que defenderam os direitos humanos, que denunciaram as torturas nos porões da ditadura, que apuram e denunciam os escândalos de corrupção dos governos.
Ninguém notou, ninguém morou na dor e na vergonha que essa notícia traz para toda uma categoria profissional. Para as gerações passadas e para as que virão. Ninguém protestou nem se rebelou contra esse ato indígno que muitos prejuízos trará à população, à sociedade brasileira, à democracia... Alguns até, por incrível que pareça, comemoraram o fim do diploma. Quando falo que a dor da gente não sai no jornal, não falo apenas na dor dos jornalistas diplomados. Falo na dores da sociedade. Das dores que vivemos e das dores que viveremos.
Exercendo seus podres poderes, os homens do STF humilharam profissionais, estudantes e professores de jornalismo. Para exercerem suas "vingancinhas" contra a imprensa que os incomoda, eles ignoraram solenemente as técnicas jornalísticas e teorias da comunicação ensinadas nas universidades e alvo de estudos no mundo inteiro. O mais irônico disso tudo é que em nome da LIBERDADE DE EXPRESSÃO desregulamentaram uma profissão que sempre defendeu essa mesma liberdade.

3 comentários:

Stela disse...

Tambem fiquei revoltada, que país é esse? Lembro de uma coisa muito interessante que vc escreveu ha um pempo atras no sue blog, entao vamos agora nao exigir mais diploma de outras profissoes?pode-se esperar tudo.
Um beijo
Stela

Maria Fernanda disse...

Suely, parabéns pelo texto.
Temos que expressar a nossa opinião e mostrar que o diploma faz a diferença.
Tb estou revoltada!

Maria Fernanda Rebouças

Josfina disse...

Su,

Veja o manifesto da F2J.

Demais amigos,

Vejam a matéira de Suely Temporal e da F2J.
Concordo plenamente com a humilhação e desvalorização aos profissionais, estudantes e professores de jornalismo.
Atenciosamente,
Josefina Elvira Trindade Ramos Rios