quinta-feira, 14 de junho de 2007

PESADELOS DE UMA NOITE DE NAMORADOS

Santo Antônio, santo casamenteiro, padroeiro dos namorados abandonou à própria sorte os namorados num restaurante chic de Salvador, situado na Avenida Contorno, às margens da sensacional Baía de Todos os Santos. O que era para ser um jantar romântico à luz de velas, transformou-se em roteiro de uma tragicomédia tipo TODO MUNDO EM PÂNICO XXIII: não jantei e nem fui jantada.
CENA 1 - Exterior noite fria
Chove em Salvador. E quando eu digo, CHOVE, não é uma metáfora. Avenida Contorno. Poucos manobristas para uma multidão de homens e mulheres em carros importados, salto alto e roupa de grife. Logo, todos começam a se molhar. Feito baratas tontas, os manobristas só ganhavam para o número de vagas. O placar: manobristas 1 X O vaga.
CENA 2 - Interior noite quente
No restaurante, serviço fraco com parca distribuição de bebidas para os preços cobrados pela noite: partir de 140 paus por cabeça, distribuídas em mesas camufladas atrás de pilastras bizantinas. Comidas? Um vexame. Uma espécie de spa oriental. Poucas porções e filas intermináveis. Uma coisa tipo senha do SUS, na segunda-feira, na Rua Carlos Gomes.
CENA 3 - A Fuga das Galinhas
Insatisfeitos e revoltados, os comensais começam a jogar pratos nas paredes que, agora, além de cenas da escravidão, tem outras história pra contar: a fome das elites. Cacos de pratos nas paredes e no chão. Parecia festa grega. Amedrontados, os garçons deixam o ambinte em debandada, numa espécie de fuga das galinhas. Teve até um que foi estapeado por uma dondoca mais esfomeada.
CENA 4 - O show depois do espetáculo
Lá pelas 22 horas e pouco, enquanto o espetáculo de baixaria rolava na platéia, a cantora convidada, mais uma vitima dessa Etiópia Soteropolitana, resolve começar o show. Tensa e totalmente constrangida, teve como fila do gargarejo, o povo que, com prato na mão, tentava resgatar um pouco da ração regrada que seria servida, nos balcões que antes seriam a base dos garçons, que a esta altura, já estavam na Estação da Lapa. Os convidados mais fortes e perseverantes devem ter resgatado um ou outro sushi murcho. Mas a maioria que cotinuava na fila com o prato na mão, dava uma olhadinha na cantora e vaias. E mais vaias.
CENA 5 - Etiópia na Bahia
A cantora, acostumada mais com aplausos calorosos do que vaias, pede desculpas umas cinco vezes, mas as vaias não param. O marido, instrumentista e produtor (um cara super legal) se descontrola. Pega o microfone e pergunta: vocês estão vaiando a cantora ou a produção deste evento? Vaias redobradas. A cantora tenta, em vão, dizer que não é sócia do evento, que é apenas uma contrada. E chora. Resultado: show THE FLASH. Minutos. E o povo que pagou 140 paus sai faminto e segue para os Selects e hot dogs da vida.
Agora eu pergunto: isto é ou não é para terminar namoro? A pessoa compra roupa nova, dá aquela escovada no cabelo, compra presente, põe salto alto, perfume francês e vai tudo por água abaixo. É pra terminar até casamento de bodas de ouro!
CENA 6 - THE END
Um casal de amigos estava lá porque EU INDIQUEI... Soube que estão à minha procura para eu pagar o que devo. Durante essa epopéia, rolou um stress, os dois discutiram porque se irritaram e brigaram feio. O que seria uma noite romântica virou uma noite trágica, fora o prejú.
MORAL DA HISTÓRIA: bem fiz eu que fiquei em casa comendo trufas com o maridão debaixo das cobertas.
BEIJOCAS E TABOCAS...

4 comentários:

Carminha disse...

Menina !!! Eu bem soube disso! Soube até que uns vão processar os outros que vão processar aqueles que vão cobrar destes que podem cobrar dos garçons que com certeza vão cobrar de ti. Que não foi. Porque se tu tivesse ido ... Ah ... a história bem seria outra ...

Denis disse...

E não é que Ari tá te chamando de Suellen Storm ? Adorei! Inda mais agora que a Fonte Nova vai virar Internacional ...

Adriane Lima disse...

hehehe, babado fortíssimo esse Dia dos Namorados, hein! Fico até feliz de estar solteira, rsrsrs..
Beijos, saudades!

Ari Coelho disse...

Jura, Storm?... Verdade?...

Maravilha!!!

Agora, te contar, viu? Esses programas óbvios de restaurante, motel no dia dos namorados... tenhamos paciência!!!!

Que falta de inventividade é essa, minha gente?
E ainda tem aqueas mulheres distribuindo rosas? Putz!
Não tem coisa mais anti-tesão do que o "lugar comum", o já visto, o previsto. E ainda tem gente que encara, né?
Leva pra dar uns amassos, uns esquentes num muro legal... aluga a borracharia da esquina de noite e dá uma no capricho, com direito a se melar de graxa e de tudo.

Ou, até, fica em casa e faz um "papai e mamãe".

Qualquer coisa é melhor e menos babaca do que a dobradinha "restaurante chic e motel" no dia dos namorados.
Aliás, esse negócio de dia dos namorados é muita caretice, isso sim.