sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

FILHOS DA MÃE


Uma notícia publicada hoje no site Bahia Já informa o seguinte:


Depois que o governo brasileiro viu o desempenho de Cláudia Leite durante o carnaval de Salvador, resolveu diminuir o período da licença maternidade. Agora será assim: parto normal - 2 dias de afastamento do trabalho, parto cesárea - 1 semana. E não adianta falar na necessidade de amamentar a criança, pois ela demonstrou que o leite pode ser tirado no trabalho e enviado pra casa. Segundo nossos governantes, o que Claudinha provou representará, efetivamente, uma economia de bilhões aos cofres públicos.

Os empresários, radiantes com a comprovação de que o afastamento do trabalho pela mulher recém parida não é necessário (algo que eles vinham defendendo há anos), estão se organizando para homenageá-la na próxima reunião da FIESP no estado de São Paulo. As entidades pró natalidade também estão muito felizes com Cláudia Leite. Segundo essas entidades, a cantora baiana estimulou o nascimento de novas crianças em nosso país. Dorotéia Studart, vice presidente da Associação das Mães de Carnaval, afirmou, em entrevista, que Claudinha garantiu as mulheres e homens o estímulo necessário para possíveis novas gestações. Dorotéia disse: " durante todo o tempo Claudinha mandou beijar na boca e a gente sabe que, na maioria das vezes, é assim que tudo começa, né? "


Só pode ser piada, né não?

Mas caso as empresas queiram mesmo implantar o sistema Claudinha Leitte basta disponibilizar a equipe médica que ela teve e toda a infra-estrutura para as milhares de operárias e mães desse país. Talvez seja mais barato deixar as pobres mães em casa, cuidando de suas crias, ou será que os empresários brasileiros não querem ter compromisso com o desenvolvimento sadio psicológico e físico das futuras gerações?


Fica no ar a pergunta: VOCÊ NUM TEVE MÃE NÃO?


Uma amiga minha, estudante de jornalismo, que trabalhou durante o carnaval como voluntária na creche do Juizado de Menores em Salvador me disse que é enorme o número de mães que deixam seus filhos lá para irem trabalhar durante o carnaval. Sem terem com quem deixar os meninos e precisando faturar um troco como ambulante, garçonetes, cordeiras, etc, elas deixam os meninos lá e se picam. As sérias aparecem pra buscar os guris na quarta-feira de cinzas, mas tem outras que simplesmente esquecem os meninos lá. É a modalidade genérica do sistema...

É como diz meu amigo Hector Salas:

Jesus voltou, mas já se picou com a Madonna!


BEIJOCAS E TABOCAS

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

OS DALITS DA AVENIDA


Eles não são tão bonitos quanto o Bahuan, o personagem de Márcio Garcia da novela Caminho das Índias (TV Globo). Mas são igualmente tratados com preconceito. São garis, catadores de lata, vendedores ambulantes, pessoas que conseguem brincar com pouco ou nenhum dinheiro no bolso. Pela primeira vez, que eu me lembre, essas pessoas tiveram alguma visibilidade na cobertura do carnaval. Através do jornal A Tarde, os leitores puderam conhecer um pouco (um pouquinho) mais de perto, a realidade dessas pessoas invisíveis no carnaval da Bahia.
Pelo trabalho dos jornalistas Flávio Costa, Valmar Hupsel e George Brito que, por algumas horas vestiram o personagem e sentiram na pele as emoções e agruras desses trabalhadores, pudemos acompanhar a realidade dessas pessoas, com bom texto jornalístico, sem pieguices, mas com emoção e verdade. O carnaval da Bahia é bom, mas sempre se repete. Por isso, fazer coberturas diferentes é um tremendo desafio. Os personagens são sempre os mesmos: é Daniela Mercury com suas homenagens, é Bell Marques com sua competência musico-empresarial, é Ivete Sangalo com seus figurinos poderosos e sua música tocada como um mantra... Vai buscar Dalila, vai buscar Dalila, ligeiro, ligeiro, ligeiro... É Carlinhos Brown com sua irreverência genial... Nada contra, mas em termos de assunto, novidade, notícia mesmo, ficamos reduzidos à logística de amamentação de Claudinha Leitte (mais leite do que nunca!).
Por isso, a reportagem depoimento desses colegas que por algumas horas se travestiram de garis, catadores de lata e pessoas comuns, sem credenciais, pulseirinhas, camisetas de camarote ou abadás, acabou se transformando na novidade da cobertura jornalística impressa. Assim como os dalits estão se dando a conhecer ao universo brasileiro através dos personagens da novela Caminho das Índias da TV Globo, a cobertura dos meninos do Jornal A Tarde (perdoe por chamá-los assim, mas é que são de uma nova geração) mostrou a nós, baianos, que temos os nossos próprios dalits. Criaturas de carne e osso, que insistimos em não ver, em não tocar, mas que sem elas, carnaval seria impossível.
Além dos dalits da avenida, outra figura que mereceu destaque entre os destaques neste carnaval foi o Rei Momo. Que, pela primeira vez em muitos carnavais, teve algo a dizer, além do óbvio. Ficou provado que, embora reine, mas não governe, o Rei Momo Gerônimo, tirou mais que onda mandando espertíssimos recados através do seu escriba, o jornalista Sandro Lobo. Ficou evidente também o recheio do Rei Momo não pode ser apenas “banha”. Seja gordo ou magro, o Rei Momo tem que ter carisma e algo a dizer, além de decretar paz e amor. E é bom que fique claro que não é todo mundo que consegue dizer as coisas que o nosso Gerônimo disse com tanta simpatia e competência. Algo que só o carisma de um artista do seu quilate pode dar. Outra novidade foi a cobertura on line pela Web Tv do jornal A Tarde provando que a convergência das mídias é mais do que uma tendência. É uma realidade! Não há mais como dissociar um meio do outro. É tudo junto ao mesmo tempo agora.
Dizem que os jornalistas não gostam de tecer elogios a ninguém com receio de dar a impressão serem puxa-saco. Eu não me importo com isso porque quando não gosto também me manifesto. E sou defensora ferrenha da idéia de que não são apenas as críticas negativas que dão força e prestígio nessa minha profissão, apesar da maioria dos jornalistas preferirem sempre engrossar o coro dos discordantes, dos que não gostam, dos que só criticam e nunca elogiam. Discordar é legítimo. Mas não pode ser a regra. Aliás, concordar e discordar são verbos com os quais os jornalistas estão mais do que acostumados, por isso não pude deixar de destacar o trabalho desses colegas que conseguiram de maneira simples e criativa, fazer o lugar-comum ser menos comum.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

IT'S SHOW TIME! (TRADUÇÃO: JÁ É!)

Casal se beija no início da festa no circuito Barra/Ondina. Rei momo decreta diversão e muita paz. Abadá "genérico" é vendido a rodo nos camelôs! Ambulantes e cambistas fazem a festa e a chuva molha os foliões no desfile da Barra, onde uma arquibancada foi interditada pela defesa civil. Mas, quem se importa? Ninguém morreu...
Afoxés: muito atraso e pouco público. Ajaiô, cadê meu agôgô?
Blocos famosos desfilam lotados de turistas: cadê os baianos? Estão na fila do ferry...
Enquanto isso, fora do circuito midiático, moradores do Uruguai e da Massaranduba (dois bairros de Salvador, situados na Cidade Baixa) promovem o Encontro do Jegue de Cueca com a Jega de Calçola.
E o carnaval segue o seu ritimo até quarta de cinzas...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

TEM CHEIRO DE CARNAVAL NO AR

Já é carnaval, cidade! E o cheiro de xixi já começa a subir das ruas e ladeiras dos circuitos da folia. As feijoadas pré-carnavalescas já aconteceram e os camarotes foram erguidos imprensando cada vez mais os foliões na avenida. Por falar em imprensa, a imprensa também está a postos e TODOS já providenciaram seus crachás, pulserinhas, etc para conseguir um tratamento vip neste carnaval.
Os turistas lotam o Pelourinho fazendo tranças no cabelo. O Terreiro de Jesus se transformou num salão de beleza a céu aberto. Porque no carnaval, todo mundo quer ser baiano. E na Bahia, quem não é jornalista é artista, celebridade ou algo afim.
Hoje a noite o Rei Momo Gerônimo Primeiro e Único recebe oficialmente as chaves da cidade e, em que pese o resto do país continuar na vidinha de sempre, começa em Salvador, o reinado de Momo, que, segundo ele mesmo, reina, mas não governa. Só tira onda.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

NA CONTRA-MÃO

Já dizia o poeta Caetano Veloso que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. Mas eu num vou e tou vivinha da silva! Aliás, nem ele vai mais... Ia, mas num vai mais.

domingo, 1 de fevereiro de 2009