segunda-feira, 5 de maio de 2008

A PROSPERIDADE DO CAOS

Hoje acordei com vontade de abraçar as árvores. Ouvindo o rádio no carro, enquanto fazia meu cotidiano trajeto até o meu trabalho essa vontade só aumentou. As notícias, como sempre, não são as melhores possíveis e o número de carros nas ruas só faz aumentar. Ouço o renomado economista Carlos Lessa, titular da disciplina de Economia Brasileira da UFRJ e ex-presidente do BNDES, dizer que o comércio de automóveis cresce entre 5 e 6% ao ano e que o aumento da taxa básica de juros não fez nem cosquinhas nesse crescimento. Isso faz a felicidade da indústria automotiva . E não apenas isso. Gera mais empregos, mais impostos e consumidores felizes e satisfeitos com suas novas máquinas possantes.
Entretanto essa felicidade toda não contabiliza as intermináveis horas que perdemos nos engarrafamentos cada vez maiores e mais constantes. Isso representa menos vida que estamos vivendo. Ninguém pensa, ao adquirir um carro novo que, do jeito que a coisa vai, num futuro bem próximo, este será um bem cada vez menos usado. Sairemos das nossas casas a bordo de automóveis maravilhosos, com design cada vez mais modernos e tecnologia cada vez mais avançada e não conseguiremos chegar a lugar algum. Isto porque enquanto o número de novos automóveis nas ruas cresce em alta velocidade, o investimento em infra-estrutura, ou seja em ruas, avenidas, vagas de estacionamento etc, continua parado como se estivesse num desses engarrafamentos da vida.
Esta é a prosperidade do caos. Na qual a felicidade das pessoas é cada vez mais medida pela quantidade de bens que adquire: carro novo, novos aparelhos eletrodomésticos, celular novo... Enquanto ficamos parados nos egarrafamentos nossos de cada dia, o mundo vai se acabando. O nosso prazo de validade vai se esgotando. Qual é a saída para isso? Ninguém sabe. Por isso disse no início desse post que acordei hoje com vontade de abraçar as árvores. Não pense o meu querido e insano leitor que eu fiquei maluca de vez. Pessoas que abraçam árvores é uma maneira meio pejorativa de designar aquelas pessoas que defendem o meio ambiente, que se preocupam com o buraco na camada de ozônio, enfim, que estão continuamente preocupadas com temas para os quais a maioria das pessoas não está nem aí.
Hoje eu acordei assim. Mas tenho certeza de que amanhã volto ao normal...
Beijocas e tabocas.

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