quarta-feira, 9 de maio de 2007

FALANDO A MINHA LÍNGUA

Como tomo mundo já sabe, tem até livro publicado sobre o assunto, aqui em Salvador (capital da Bahia) é falado o Baianês. Um idioma derivado do brasileirês que, por sua vez é derivado do português, que não tem nada a ver com a língua que se fala em Portugal. Esta manhã, minha amiga e yalorixá holandesa Mãe Arnild de Eibergen, mandou-me por e-mail um texto escrito pela blogueira Mônica Góes, que me identifiquei. Essa moça, fala a minha língua! O texto fala sobre a Bahia e a baianidade com muito senso de humor... Como achei o texto muito interessante, resolvi transcrevê-lo em parte, aqui n' O Faniquito, com algumas contribuições pessoais.
O Baianês conta com seu próprio alfabeto que, qualquer criança de Salvador aprende desde cêdo na escola:

A Bê Cê Dê É Fê Guê Agá I Ji Lê Mê Nê Ó Pê Quê Rê Si Tê U Vê Xis Zê

Ao contrário do que muita gente pensa , o Baianês não é falado lentamente, mas sim cantando. Outra coisa importante para se saber sobre o Baianês é que não existe o gerúndio, mas sim o gerúnio. Isto porque no Baianês legítimo, a letra "Dê" do sufixo "ndo" é excluída no gerúnido, o que resulta em dizer falano em vez de (em vez de tb é baianês) falando, correno em vez de correndo.
Outro maçete que não se pode esquecer ao falar Baianês é que a letra Guê também não é pronunciada, na maioria das frases quando tem som de Ji. Nesse caso ela dá lugar ao . Exemplo: "a gente", fala-se arrente e, em alguns casos, a letra Si também pode ter som de na formação de frases quando "As camisas" toma a pronúncia de "Ar camisa" e "As mulheres" se converte em "Ar mulé". Além do mais, o pronome da terceira pessoa plural nós não existe no Baianês. Usa-se em seu lugar o pronome coletivo "agente", nesse caso, escreve-se tudo junto.
Algumas palavras nunca são concluídas ou são adaptadas para serem faladas com menos esforço. Sendo assim, a expressão Vamos embora, pode ser traduzida no baianês clássico para uma só palavra: Vumbora ou bora ou simplesmente . A utilização dos substantivos "pai" e "mãe" é bastante comum (principalmente nas músicas de pagode e axé). Porém essas palavras dificilmente fazem referência ao pai e mãe de alguém. Na maioria das vezes são usadas para se chamar a namorada, a mulher, algum amigo, guardadores de carro, catadores de lata e adjacentes. Aqui vão algumas expressões cotidianas do Baianês e suas respectivas traduções:
"Colé, meu bródi!" - Olá, meu amigo?
"E aí pai?" - Como vão as coisas, amigo?
"Fala nigrinha!" - Olá, amiga.
"Diga aê seu xibungo" - O mesmo que "E aí pai?" só que com mais ênfase e intimidade.
"Faaaaala minha puta!" - Oláááá, minha amiga. (se a amiga for amiga mesmo)
"Colé miserê!" - Olá, amigo. Pode se dizer também: Digaê sua mirera! Ou Fala, miserave! Ou miseravão, se o amigo for amigo mesmo.
"Diga aê disgraça!" - Olá, amigo.
"Digái Negão!" - Olá, amigo. (independente da cor ou da raça do amigo)
"Ô véi!" - Ô amigo! (mesmo que o amigo não seja velho)
"Colé de mermo?" - Como vai você?
"Aonde!" - Não mesmo! De jeito nenhum!
"Vô quexá aquela pirigueti" - Vou paquerar aquela garota.
"Vô cumê água" - Vou beber (álcool). Tomar todas!!
"Colé de mermo a sua?" - Qual o seu problema?
"Tá me tirando de otário é?" - Está me fazendo de otário?
"Shhh...Ai, mainhaaa!" - Até hoje não se sabe a tradução. Sabe-se apenas que nas músicas de pagode, o vocalista está excitado com sua respectiva amante.
"Oxi!" - Expressão de surpresa, de admiração que todo baiano usa para tudo, mas que um forasteiro nunca acerta quando usa.
"Lá ele!" - Eu não! Sai fora! Ou qualquer outra situação da qual a pessoa queira se livrar.

Fontes: http://monicadegoes.blogspot.com/ Dicionário de baianês - Nivaldo Lariú

Um comentário:

Arnild disse...

E eu boto é banca nessa Holanda:-))
Hahahaha
Viva a Bahia.
Baiano é quem merece, hehehehe
Beijos saudosos!!!
Nil